E agora, tenho o estudo de classificação de área, inplementei as não conformidades através do plano de ação. Será que estou seguro? Será que minhas instalações estão totalmente seguras para o processo? Vida normal como era antes do estudo de classificação de área?
Essas são perguntas comum em nosso meio, pois, após todo o estudo e implantações, a maioria das empresas param por aí, ou seja, acreditam estarem protegidas. Ainda muitas peguntas chagam no sentido de expressar o sentimento de terem feito um investimento e nada foi alterado (apenas os equipamentos), “…No passado, ou seja, antes do estudo a atmosfera explosiva já existia essa condição e atualmente pós estudo ela continua…”.
Atmosferas explosivas por poeiras e fibras diferentemente da Gases, vapores e Névoas, precisamos aplicar outras técnicas para o controle dessas áreas que vão além do estudo de área classificada.
A Norma Técnica ABNT NBR IEC 60079 Segunda Edição 21.06.2016 – Atmosferas Explosivas – Parte 10-2 Classificação de Área – Atmosferas de Poeiras Explosivas, na seção 8, determina:
8 Documentação
8.1 Generalidades
A classificação de área deve ser documentada, assim como os diversos passos adotados para esta.
Todas as informações pertinentes utilizadas devem ser relacionadas. Exemplos destas informações incluem:
a) recomendações dos códigos e normas aplicáveis,
b) avaliação da dispersão de poeira a partir de todas as fontes de liberação,
c) parâmetros do processo e medidas de mitigação da presença de poeira, que influenciam a
formação de atmosferas explosivas de poeiras e de camadas de poeiras,
d) parâmetros operacionais e de manutenção,
e) procedimentos de limpeza,
f) EPL designado para cada local de instalação das áreas classificadas.
Os resultados do estudo de classificação de áreas e de qualquer alteração posterior a este devem ser incluídos no prontuário da instalação.
A seção 8, citada acima já determina que a classificação de área preceda de ação para o monitoramento das áreas, ou seja, há necessidade de um trabalho constante em todas as áreas que foram classificadas.
Para poeira e fibras o estudo de classificação de área é o início de um longo processo de mudança de comportamento para a empresa e seus colaboradores.
Se fizermos uma analogia tendo como base uma simples análise de risco, podemos entender que na coluna do PERIGO, teremos as Poeiras e fibras; na coluna do RISCO, teremos a atmosferas explosiva; e na coluna dos CONTROLES, teremos os estudos de ÁREAS CLASSIFICADAS e DUST HAZARD ANALYSIS – DHA.
a coluna de CONTROLES, onde está o estudo de áreas classificadas irá atuar diretamente na coluna do RISCO, pois, o estudo irá apresentar as medidas de controle para as fontes de ingnições (as fontes podem ser para gases, vapores, névoas, poeiras e fibras), que são:
CHAMA ABERTA: Fornos, chaminés e equipamentos de aquecimento (fornalhas); Ato de fumar e cigarros acesos; Corte, solda e maçarico; Gases quentes (incluindo partículas quentes).
ELÉTRICA: Equipamentos eletro/eletrônicos, fixos, transportáveis, portáteis, pessoais; Faíscas geradas por equipamentos elétricos, tais como, interruptores, botoeiras e tomadas; Superfícies quentes de equipamentos elétricos e eletrônicos, tais como, luminárias e motores; Aparelhos eletrônicos portáteis, tais como, telefones celulares e máquinas fotográficas; Correntes parasitas e proteção catódica.
MECÂNICA: Calor de fricção ou faíscas; Esteiras, elevadores de caneca, moinhos, separadores
ELETROSTÁTICA: Descargas atmosféricas; Transferência de gases, líquidos e partículas sólidas.
TEMPERATURA DE SUPERFÍCIE: Superfícies quentes, tais como aquecedores e tubulações de vapor ou fluido térmico; Calor radiante.
AUTOIGNIÇÃO: Ignição espontânea; Reações exotérmicas, incluindo autoignição de poeiras; Compressão adiabática e ondas de choque
DIVERSOS: Radiofrequência (RF) de ondas eletromagnéticas de 10⁴ a 3×1012 Hz ; Ondas eletromagnéticas, incluindo a radiação óptica a partir de 3×1011 para 3×1015 Hz ; Radiação ionizante;
NOTA: Embora o estudo apresente resultados que somente para as fontes de ignições, a própria norma para poeira na seção 8 determina outros controles, todavia, não é levado em conta no estudo.
a coluna de CONTROLES, onde está o estudo de DUST HAZARD ANALYSIS – DHA irá atuar diretamente na coluna do PERIGO, pois, o estudo irá apresentar as medidas de controle para manter os valores de poeiras e fibras ABAIXO dos parâmentros normativos relacionados:
- Temperatura mínima de ignição da nuvem (MIT) [°C];
- Temperatura mínima de ignição da camada (SIT 5 mm) [°C];
- Tamanho médio da partícula (µm);
- Concentração mínima explosível (g/m³);
- Energia mínima de ignição (MIE) [mJ];
- Máxima pressão de explosão (Pmax) [bar];
- Indice de combustibilidade (CI);
- Aumento da taxa de pressão (Kmax) [bar.m/s];
- Explosibilidade;
- Temperatura máxima da superfície [°C].
A imagem abaixo ajuda a entender.

Quando tratamos da poeira, precisamos pensar um pouco mais além ainda, pois, podemos chagar na seguinte pergunta:
– EU TENHO O ESTUDO DE ÁREA CLASSIFICADA, TENHO O ESTUDO DE DHA, PORÉM, E SE ACONTECER UMA EXPLOSÃO POR POEIRA?
- Qual a velocidade e pressão de uma explosão em um abiente externo?
- Qual a velocidade e pressão de um explosão em um ambiente confinado (interno)?
- Qual o tempo da explosão e a áreas afetada?
- Qual o raio da explosão com a taxa de letalidade?
- Qual o tipo de proteção que o equipamento possui para uma explosão?
- Qual o tipo de proteção que o equipamento possui para uma explosão, PROTEÇÃO ATIVA (ex.: sistema de inertização, sistema de supressão)? e/ou PROTEÇÃO PASSIVA (ex.: janela de deflagração e/ou explosão)?
- Qual será a resistência do equipamento em uma explosão?
- O equipamento está dimensionado a suportar uma explosão?
- Quais equipamento Ex, iremos aplicar para o monitoramento (eX.: Redlers, Elevadores de transporte, silo pulmão, silo de armazenamento, moegas de descargas, filtro de mangas, entre outros)?
- Quais parâmetros iremos monitorar nesses equipamentos?
Para que possamos responder as perguntas acima e outras faz-se necessário o estudo aplicado ao fluxograma 02 e 03.

Por fim, é necessário que todos os envolvidos com substâncias combustíves (poeiras e fibras), entendam que o estudo de áreas classificadas é somente o começo de um grande projeto.





